10/19/2012

Relato de uma visita a uma comunidade pobre no Rio de Janeiro


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No dia 08 de Setembro, eu e meu fiel “cameraman”, Ademar “Heartbreaker”subimos o morro de Santa Marta, zona sul do Rio de Janeiro, para entrevistar moradores da comunidade.  Depois de uma caminhada de 40 minutos chegamos ao nosso destino. O morro que já foi ponto estratégico do tráfico de drogas, devido a sua geografia íngreme, com becos estreitos formando uma espécie de labirinto. Hoje está pacificado e abriga uma população de cerca de 13 mil pessoas distribuídas em mais de 2421 habitações segundo o último Censo. Apesar de ainda existirem casas de palafita, atualmente predominam as de alvenaria, basta olhar um retrato de dez anos atrás e a diferença é nítida. 

Chegando na “comunidade”, como os próprios moradores gostam de se referir à região, a sensação é de estar em um local comum, mas com suas peculiaridades: Crianças oferecendo o serviço de guia turístico, donas de casa, com meia dúzia de frangos Sadia nas mãos, falando sobre o último capítulo de Avenida Brasil, policiais da UPP com fuzis nos ombros, “malandros” jogando sinuca no “Bar do Tadeu”, funkeiros subindo as vielas ao som de Mr. Catra e turistas suecos procurando o lado B da cidade maravilhosa. 

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O bondinho nos leva até o topo do morro, onde nosso trabalho começa. Sem muita dificuldade, encontro Dona Sandra, moradora de Santa Marta desde que nasceu, ela nos convidou a conhecer sua casa e nos ofereceu um “Tour” pela comunidade. “Hoje vivemos bem aqui, temos água, gás, não falta mais luz, tem tudo aqui perto, enfim, acho que aqui é um bom lugar pra se viver”, disse a dona de casa.  Com relação a ação da unidade de polícia pacificadora (UPP), Sandra se mostra indiferente. “Sinceramente pra mim não mudou muita coisa, não tenho nada do que reclamar, nem agora, nem antes.” Sandra mora com os filhos e os netos em uma casa de alvenaria com três quartos e outro em acabamento. 

Seis horas depois, juntei os trapos e tomei a lotação que me levaria a uma das maiores favelas do Rio, o Vidigal. Com uma população superior a 25 mil habitantes, assim como Santa Marta, o Vidigal sofreu ações da UPP e hoje encontra-se apaziguado, embora ,ao comparar com outras comunidades apaziguadas, os resquícios do tráfico sejam maiores ali.  O acesso ao morro é através do serviço de moto-taxi e a vista do topo é uma das mais bonitas da cidade. Menos solícitos, alguns moradores pareciam não fazer questão de nos dar as boas-vindas  (ao contrário do cartaz na entrada da favela “Welcome to Vidigal, home of a happy community”). 

O que percebi pelo pouco contato que tive com alguns moradores, foi um orgulho muito grande em relação às suas comunidades. Ali vivem todos os tipos de pessoas, como em qualquer outro lugar, inclusive trabalhadores, que pegam o bonde das 06:00 da manhã pra ganhar a vida na segunda maior cidade do país. Na cidade em que os extremos estão tão próximos, o abismo social ainda é gritante e não há dúvidas de que sempre será. Mas apesar disso, aqui em cima as pessoas não precisam de tanto para se satisfazerem, pelo contrário, o que as satisfazem, elas finalmente vêm tendo, que é um pouco de dignidade.

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